A música não é apenas entretenimento — ela também reflete identidades sociais e políticas. É o que revela a mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada em março de 2025, que analisou os gêneros musicais mais ouvidos pelos brasileiros e como essa preferência se relaciona com posicionamentos ideológicos.
De acordo com o levantamento, o sertanejo aparece como o gênero mais popular no Brasil, sendo o preferido por 28% dos entrevistados. Em segundo lugar está o gospel (16%), seguido por samba/pagode (14%), forró/pisadinha (11%) e funk (9%).
A pesquisa destaca ainda um cruzamento inédito entre gosto musical e política. Os dados mostram que o público que se identifica como de direita tem maior afinidade com sertanejo e gospel. Já entre os que se identificam como de esquerda, há maior predileção por MPB, funk e rap.
Além disso, fatores como idade, escolaridade, religião e renda também influenciam nas preferências musicais. O sertanejo, por exemplo, domina entre pessoas com ensino fundamental e de baixa renda. Já a MPB e o rock têm mais ouvintes entre os mais escolarizados e de maior renda.
A pesquisa também revela que o gênero gospel é o mais ouvido entre os evangélicos, enquanto o funk se destaca entre os jovens de 16 a 24 anos. O forró/pisadinha tem maior presença nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o rock é mais forte no Sul e Sudeste.
O estudo mostra como a música no Brasil segue sendo um reflexo das múltiplas identidades do país — e como ela dialoga com as divisões sociais e ideológicas que marcam o atual cenário político.







